Convento e Igreja de Santo António

Convento franciscano da Província dos Algarves, fundado em 1603 por Leonardo de Campos e subsidiado pelos populares e pela Câmara do Crato com a adjudicação, nessa altura, de uma renda para obras e sustento. Sobretudo no último quartel do século XVIII, este Convento viria a receber os favores da pequena nobreza e burguesia local, conforme o atestam os enterramentos que ai se efectuaram, preferência expressa pelo conjunto de lapides sepulcrais do templo.

ARQUITECTURA:
Igreja de Uma nave com capela-mor profunda. A cobertura é de abóbada de canhão na nave e em zimbório na capela-mor. A fachada, lisa, é organizada em função de umportal tardo-clássico ou maneirista, de granito, que se prolonga numa janela com frontão. Na cimalha encontra-se um nicho com a imagem de pedra seiscentista do santo patrono. Característica dos templos franciscanos reformados é a escadaria de  vários lanços, 4 dos quais em ângulo, dando acesso ao patamar superior dotado de um cruzeiro de generosas dimensões, perspectivando o edifício segundo a sensibilidade monumental barroca. O interior possui um coro alto simples sobre abóbada com arco de volta abatida e um púlpito simples de mármore. Dignos de menção são o altar-mor monumental, de frontão interrompido, em massa, com policromia, e os altares da cabeceira, o da Epístola com ornamentação de mármore, de frontão interrompido assente em colunas coríntias e decoração em policromia, o do Evangelho reprodução do anterior, mas em  trabalho de massa. Tais dispositivos, bem como o altar colateral “a face”, com desenho idêntico àqueles e executa em massa com policromia, devem ser datados do século XVIII, pela faceta “rocaille” que ostentam. Uma capela sepulcral, lateral e em “falso cruzeiro” do lado da Epistola, foi fundada por Diogo Caldeira de Abreu em 1674: possui abóbada de canhão e encontra-se revestida a azulejo de padrão dos finais do século XVII. Na parede, uma lápide com ornamentação tardo-maneirista assinala a fundação e o destino da capela. Corresponde isto a uma segunda campanha de obras no edifício, seiscentista mais tarde acrescida por obras de nítida feição setecentista, e de tonalidades tardias pelo partido decorativista e pitoresco que apresentam. O templo é dotado de várias campas brasonadas com inscrições, dos séculos XVII e XVIII (4 na capela-mor, 5 no pseudo-transepto, e 6 na nave).
As dependências conventuais, com a disposição habitual para estes casos - claustro central, com quatro arcos em cada lanço, em estilo chão, sendo o toque ornamental dado pela fonte de mármore brasonada na entrada ou vestíbulo.

ESCULTURA:
Santo António, imagem de pedra, séc. XVII (na edícula sobre o portal); Santo António em pedra policromada, do século XVIII no altar-mor; São Francisco, do século XVIII, na capela colateral, imagem de roca; e São Francisco em madeira policromada, de pequenas dimensões, ainda no altar-mor. A imagem central do altar, a mais importante, é um excelente trabalho regional de grande escala: trata-se de um Cristo crucificado, em atitude sofredora.

IMPLANTAÇÃO:
Numa elevação de terreno, fora do perímetro das muralhas da vila, em lugar outrora isolado e proeminente (como recomendavam as regras franciscanas), à beira do antigo caminho que levava do Crato a Alter do Chão.

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